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luisa barbara vaz - solto

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Herberto Helder. In: Última Ciência

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luisa barbara vaz - aurora

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sonia regina - o insólito é que não mais é
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o insólito é que não mais é

é em tua honra que retomo meu melhor
palavreado, chupo uma manga debaixo
da mangueira, viajo além das máscaras
numa navegação levemente arredondada
sobre a natureza, tangencio a poética da urbe
não é um assombro a realidade
que, no sinal, exibe crianças
vendendo suas brincadeiras
há muito nesta cidade,
são imaginários os antolhos.
nos morros da minha infância, favelas
eram moradias e não esconderijos,
era bom chapinhar nas poças d’água
que não mais existem
(nem o chapinhar nem as poças)
desde o advento da dengue.
não, não sou nostálgica,
o insólito é que não mais é
uma palavra vernacular.
sonia regina
20.8.08
imagem: I Blog Your Pardon (blogspot)
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Verônica Franco - Beija-me

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sonia regina - acontecemos

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Verônica Franco - Poema Vivo

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luisa barbara vaz - passagens

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sonia regina - por toda a noite
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por toda a noite
sim, bebe-me como água
que rebenta da nascente,
num bailado nosso
desenha-me a pele
abrindo-se em aves
mergulha em mim
e depois
deixa teus braços assim,
a enlaçar-me a cintura
por toda a noite.
sonia regina
16.8.08 |
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sonia regina - desperta, a figueira vibra

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desperta, a figueira vibra
ao murmúrio do néctar,
à suculência do fruto
atenta o silêncio
ao movimento da sede,
à paixão na voz
a natureza desperta
e, a figueira, vibra
sonia regina
15.8.08
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sonia regina - um eclipse do vulnerável
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um eclipse do vulnerável
o céu mergulhou fundo
no poço de letras,
escorreram da borda
as águas turvas
e a natureza vibrou
viu seu reflexo
no cotidiano
no oco do ar,
um eclipse
do vulnerável.
sonia regina
14.08.08
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sonia regina - todos os sentidos
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todos os sentidos
acontecem no afago,
as palavras
tocam de leve
as tramas
sentidas
da unidade sem fenda
cânticos explodem
sensualidade livre,
luzes
nuances de ternura
carícias plenas
como fibras,
músculos,
as letras ampliam
a gama de odores
sabores
no dorso da noite
cristalizada,
a sílaba brota
justaposta à alma
em fogo, o corpo
acesos, todos os sentidos.
sonia regina
14.8.08
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Sonia Regina - Verso, poeta, leitor, poema: o desejar para além das fronteiras
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Verso, poeta, leitor, poema: o desejar para além das fronteiras
Sonia Regina
Cada verso segue numa espécie de jogo de esconde-esconde; como numa ficção íntima cai no papel, folha sem árvore: num simulacro, em metamorfose permanente. Crescendo, brincando, fingindo; passeando, tensa e heroicamente, por diferentes corpos interiores.
O poeta não escreve paradoxos, não descreve fenômenos com uma lógica interna absurda: mas intriga. Agrada. E revela, no seu modo de olhar e de estar que admite a coexistência de opostos.
Suavemente, com delicadeza. Através da fabulação, da fascinação, pela concomitante existência do falso e do verdadeiro, pelo que pode ser realisticamente encenado.
Daí se pode fazer o percurso - entre a intimidade e a ficção, entre a onipotência da fantasia e a nossa impotência humana frente ao mundo exterior a nós, à grandeza absoluta do cosmos universal - que nos fará relativizar verdades e nos levará, por vezes, a preferir uma mentira.
Somos mortais frequentemente tentados a nos insurgir contra os limites impostos pela natureza, e precisamos transgredir, ainda que na leitura e na escrita.
Só será leitor aquele que, ao se deparar com o texto, por ele seja envolvido numa atmosfera de mistério, seduzido pela possibilidade de um encontro marcado com o autor, ainda que nas páginas do livro.
E o poema tornar-se-á um mundo a ser provado, degustado, procurado, onde se possa querer mais e diferentemente: um desejar - para além das fronteiras.
Imagem: MIchal Giedrojc |
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Sonia Regina - A maravilha não está no imprevisto
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A maravilha não está no imprevisto

O movimento do texto está conectado ao vento, nesta manhã. Percorre com ele as coisas, surdo ao embate do pensamento. Basta-lhe captar a atmosfera de vida (na escrita, no sopro do devir) e imagens e analogias organizam as palavras sem pretensão de verso, aquelas que correm sem pressa - mas com igual força - sobre o papel.
A mutação é contínua para além do visível e perecível, a suspeita é de que nada é o que parece ser.
E o inesperado que provoca espanto não vem de um repente, a maravilha não está no imprevisto.
Sonia Regina
13.08.08
imagem: Anne Brisco |
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Sonia Regina - Imagens, películas suaves da realidade
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Imagens, películas suaves da realidade

Na convocação da metáfora, alterar planos ou encontros marcados não estorva o acordo entre as nuances da cor. Não há esgrima de opostos, a paixão vem de um olhar de dentro.
Norteados pelo mútuo acender de um texto infinito e amante, os corpos se desprendem do pensamento.
O conflito é nulo, pois os matizes se complementam e transformam, aparelhados por um panorama poético construído com extraordinária força nas imagens, películas suaves da realidade.
Sonia Regina
13.08.08
imagem: Rarindra Prakarsa |
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sonia regina - o amor da cortesã
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o amor da cortesã

mesmo quente de desejos,
não ousou mais. venerou
a companheira
para além da extravagância
nos seus olhos, que colhem
o imperceptível,
a consciência do primeiro amor.
nenhuma lágrima ela apôs,
singular cortesã,
ao medo da felicidade
abria seu corpo nu
[entregue]
numa oferenda de si.
no auge do prazer,
no clímax do gozo,
a luz;
no conforto do ser,
dois indivíduos;
docemente,
a totalidade.
sonia regina
13.08.08
imagem by Dean Agar |
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sonia regina - banco de ardósia

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Lou-Andreas Salomé
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"Ouse, ouse... ouse tudo!! Não tenha necessidade de nada! Não tente adequar sua vida a modelos, nem queira você mesmo ser um modelo para ninguém. Acredite: a vida lhe dará poucos presentes. Se você quer uma vida, aprenda ... a roubá-la! Ouse, ouse tudo! Seja na vida o que você é, aconteça o que acontecer. Não defenda nenhum princípio, mas algo de bem mais maravilhoso: algo que está em nós e que queima como o fogo da vida!!"
Lou-Andreas Salomé
Imagem: Glauco Dattini |
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sonia regina - sem asas nas manhãs diversas
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sem asas nas manhãs diversas
já não fala por nós aquele aroma de vácuo
sem pormenores de estrelas,
não há silêncio
por entre o deslizar na janela aberta
à luz batendo na pele, a alucinação
de um vôo sem asas
nas manhãs diversas desenhadas no tempo,
nós,
vindos de alvoreceres sem tédio,
voluptuosos dias
numa estética que não só contempla a arte.
sonia regina
7.8.08
Imagem: Jiri Subrt - Arte digital by soreg |
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sonia regina - líquida criatura
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líquida criatura
a energia invisível, eu a descubro fonte,
nas imagens da tua delicadeza
retorna ao azul meu abraço;
reflete-se nas águas,
doce assombro dos meus sussurros.
eu, então criadora de sentidos,
sou também líquida criatura
que não mais só no deslumbre existo.
sonia regina
6.8.08 |
Imagem: ventura wave, by David Orias |
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Nei Ching
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“Administrar remédios para doenças que já se desenvolveram... é comparável ao comportamento daquelas pessoas que começam a cavar um poço muito depois de terem ficado com sede, e daquelas que começam a fundir armas depois de já terem entrado na batalha..."
Nei Ching (206 a.C. a 290 d.C.)
imagem: Viva |
by SR
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sonia regina - ato solene
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ato solene
o poema é o raro antepasto que em rito de amor
as mãos do artista oficiam,
num redemoinho de sensações
as sombras abrem as portas da percepção,
desvelam o infinito
o ardor dos corpos revela intenção de delírio,
a liberdade não recorre a disfarces:
deixa que enlouqueçam as palavras sãs e fervam,
ao redor do portal, invocando o tato
desvendado, o corpo nu delira, atrevido,
em provocação sensual
sonia regina
2.8.08
ímagem: Tamarah Tamarah |
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sonia regina - hoje de madrugada

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