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I
o ar cálido traz grãos de areia do rio dos sonhos.
mas é fria a noite, para um coração solitário:
vulnerável através da beleza nos olhos,
não sabe viver numa tempestade luminosa.
II
o sal lava estigmas que ainda restam na areia.
no fundo da garganta a voz inquieta o tempo
e chama o vento, que comigo se enrosca.
quando minh’alma amortece o canto,
sonha embriagar-se das tuas delícias.
III
na praia amanhecem as casuarinas.
estou só com a memória do teu toque
e ardem no corpo filigranas de ternura.
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