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Jornada Profunda
I
Os males não se penduram intactos nos quadros. A tela, como a pele, cerra os poros e ao ar livre recompõe-se. O lastro é de uma passagem, um rasto, como sorrisos nos retratos, luares em que não se banha duas vezes.
Não se resumiram num parágrafo final as eras que suportavam o conhecimento e a felicidade do sublime experimentado na carne, o transcendente fogo dos deuses - escrito em versos - não morre na poesia.
Mas todo o bem não regressou ao Olimpo e à porta entreaberta pressente-se a transmutação, em flores, do gelo e da neve.
O passado, ao repetir-se diferente, revela.
Sonia Regina
In: Midas |