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soreg - sorrio, entre rimas e ecos
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sorrio, entre rimas e ecos

lavo, da escuridão do vale,
as sombras desgarradas
à deriva, na geografia,
meu desejo transcende
e, liberto da muralha
de sentimentos, voa
o vento rosa desliza
nas meadas de gestos
e palavras
eu sorrio, entre rimas e ecos.
sonia regina
31.10.07
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poema coletivo Entrecampos - http://br.groups.yahoo.com/group/Escritas
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Imagem: Rackham |
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soreg - até que as mãos sejam
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até que as mãos sejam

cresço em maré
quando mergulhas em mim..." Carlos Luanda. In: O Mar
Na ponta de uma corda
que construo com as flores,
em dança noturna
eu te desenho
e, numa estratégia da água
da alma, te deixo entrar.
Minha pele abre-se em aves,
quando mergulho em ti;
cresces, em maré,
danças comigo o poema
até que as mãos toquem
o chão. E sejam.
E agarrem a vida em forma de areia.
sonia regina
31.10.07 |
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Imagem: E. Brown
desafio da semana - http://br.groups.yahoo.com/group/Amantedasleituras/ |
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soreg e jamor - Diálogo IX - como os pés, que do chão e do pó ganham asas
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como os pés, que do chão e do pó ganham asas

aquém e além da linha d’água
dança a vida
e nós com ela
suaves, como os pés que do chão
e do pó ganham asas
baila no mar a onda, baila a palavra
ganhamos força, todos, se sorrimos
a melancolia não aporta no côncavo
dos rios, os poemas dizem mais do
que livros com as páginas viradas
e, guardando na folhagem o sentido
da carícia, enfrentando as intempéries
com tronco que não se verga, resiste
[indômita]
a árvore sábia
e os poetas também emergem dos poemas
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sonia regina
26.10.07
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além da linha d’água IX - Diálogo Poético soreg & jamor - http://dialogopoetico.blogs.sapo.pt
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imagem: Bart Aldrich |
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Poemas Venusianos - outubro 2007

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W.H. Auden
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"Aos olhos dos outros, um homem é poeta se escreveu um bom poema. A seus próprios, só é poeta no momento em que faz a última revisão de um novo poema. Um momento antes, era apenas um poeta em potencial, um momento depois, é um homem que parou de escrever poesia, talvez para sempre." |
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W.H. Auden |
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Imagem: Justin Black photos |
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soreg - um cenário esvaziado de qualquer ímpeto
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um cenário esvaziado de qualquer ímpeto
e toda palavra pacata é trágica, se cerrada.
desistente, coberta por um breu apagado,
já não respinga letras como fagulhas
na alquimia cerebral a alma descansa
e o pensamento se apaga, desliga-se
da paisagem em divagações solitárias
resta um cenário esvaziado de qualquer ímpeto
pelo avesso a centelha nada aquece ou guarda,
a água racha e o gelo segue o mesmo curso
do amor e da morte, num flutuar sem traumas
e os "poetas também emergem dos poemas"
sonia regina
26.10.07
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soreg - experimento ao levantar os olhos
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experimento ao levantar os olhos
Não, não trago no olhar expectativas, simplesmente experimento o mistério. Ao levantar os olhos, o poder de retribuição do olhar transparece no cultivo do distante até que se torne, o inacessível, desejado, e aflore, na imagem de culto, a paixão.
sonia
25.10 |
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| imagem: Jarek Kubicki |
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de um mar em tempestade as palavras, em secreta ebulição
não ouvirá o canto do cisne
o poema que, no lago, sonha
trazendo do lado esquerdo do mundo
as palavras, em secreta ebulição.
rasga para fora do coração
poetas também emergem dos poemas
Imagem: Geoff Coleman
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soreg - não é simples, mas a morte respeita a coragem
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poetas também emergem dos poemas
além da linha d'água, lágrimas são metáforas
se cai o pano da madrugada, fica em cena
a divindade sem alma, fechando um ciclo
e inaugurando outro, nos versos
vem o guerreiro, o guia renovador, o líder
poeta da clareza, transparência – luz
poetas também emergem dos poemas
sonia regina
22.10.07
Imagem: César Vallejo
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 não é simples, mas a morte respeita a coragem
o que não era de se supor, da lágrima ficam
o desejo; o usar os sentidos com calma;
a coragem que a morte respeita;
às vezes a auto-indulgência ...
um perigo
em batalhas dadas como perdidas,
onde o poder de vencer é a vontade
: “é complicado, mas a vida abomina a covardia”. (1)
sonia regina
24.10.07
(1) newton campos
Imagem: Salih Güler |
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soreg - a função da luz
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Imagem: Ferrando Flores Rafael |
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a função da luz
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amanhecia, no mais longe
onde a vista alcançava
os contornos se aproximavam,
pouco faltava para acontecer
a relação entre as coisas.
essa “a função da luz
: extrair objetos iluminados
dos objetos apagados” (1)
sonia regina
23.10.07
(1) maria gabriela llansol
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amanhecia, no mais longe
onde a vista alcançava
de lá, pouco a pouco,
iam se aproximando
os contornos
a relação entre as coisas
estava prestes a acontecer:
“pequenas luzes absorviam
o que restava da escuridão”(1)
sonia regina
23.10.07
(1) Paulo Themudo. In: Os olhos espelham
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com som na edição de 22.10 do laboratorio da palavra - http://br.groups.yahoo.com/group/laboratoriodapalavra/message/807
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brilho, tenho luz própria.
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coração azul na primavera refaz o corpo
força de vontade, valor guerreiro
o coração azul na primavera
refaz o corpo que desperta
e volta a viver
O recato que lhe permitia transitar
em dimensões antagônicas
revela-se une em si os opostos
luminosidade e obscuridade;
mel e sangue; a vida e a morte
forças que utiliza, o pequeno
ao acompanhar o sol, sabe
o momento de parar
e beber com ele, da sombra.
sonia regina
22.10 |
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Manuel C. Amor - Recado
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Recado (fragmento)
É preciso compreender
os espasmos do coração,
a insatisfação do espírito.
as múltiplas metamorfoses da vida,
nessa aventura
de dominar sonhos acordados
e reinventar o amor.
Manuel C. Amor
Imagem: Curvy Life , Alban Shkupi |
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soreg - Num estado de fusão, o poder da palavra
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Num estado de fusão, o poder da palavra

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Minhas pegadas na areia dizem que passei por lá, mas não dizem de mim. Nem daquele instante. Tampouco diriam as minhas passadas na cidade, caso ficassem marcadas nas calçadas, ou o som dos meus passos.
Não me reduzem ou ampliam, são mais que um símbolo único ou perene, pois remetem a outros. Sua força poética não me atordoa, acolhe-me selvagem como as árvores de um bosque, insubordinadas como não o são as árvores plantadas numa aléia.
Somos um poema em construção, um vigor desencapado de meiguice, a fúria contida na energia pura que pode aproximar, ou afastar.
Sem limites a não ser a quebra da seqüência, o que nos domina é o ritmo. Nele e na imagem o poder das palavras disponíveis e livres, terras sem fronteiras que têm em algum ponto uma beira, como a areia e o mar.
Ouvi-lo sem tocá-lo é saber do litoral que nos une, ou separa. O poder num estado de fusão, tamanha a quietude geradora em que surgem as letras, num momento secreto e íntimo.
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imagem: Prevor Drake |
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soreg - “Brava Callas!, Brava Maria!”
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“Brava Callas!, Brava Maria!”
"Estou escrevendo com meus olhos" - Frida Kahlo
"É com o corpo inteiro que pinto meus quadros" - Clarice Lispector
se da periferia de ti mergulhaste, já pó, no fundo do egeu
se a voz foi pra ti a contraparte, o espelho, um sereno eu
se a sós com ela estavas quando teu coração, enfim,
anoiteceu
se com eles voaste
fica certa, conosco deixaste
a tua luz
sobre o breu
tua força, teu timbre, a vontade são o ritmo da nossa saudade
a descobrir-nos primeiro, a conquistar-nos a escrita, a cantiga,
os quadros
o real sentido da arte manifesta-se por toda parte
nossos ouvidos, olhos e corpos
inteiros
ecos teus.
sonia regina
rio, 20.10.07
Notas:
1. “Brava Callas!, Brava Maria!” - como era saudada Maria Callas
2. Maria Callas morreu só, de enfarte. Suas cinzas foram jogadas no Mar Egeu.
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Octavio Paz - Entre partir e ficar
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Entre partir e ficar
Octavio Paz
Entre partir e ficar hesita o dia, enamorado de sua transparência.
A tarde circular é uma baía: em seu quieto vai e vem se move o mundo.
Tudo é visível e tudo é ilusório, tudo está perto e tudo é intocável.
Os papéis, o livro, o vaso, o lápis repousam à sombra de seus nomes.
Pulsar do tempo que em minha têmpora repete a mesma e insistente sílaba de sangue.
A luz faz do muro indiferente Um espectral teatro de reflexos.
No centro de um olho me descubro; Não me vê, não me vejo em seu olhar.
Dissipa-se o instante. Sem mover-me, eu permaneço e parto: sou uma pausa
(Tradução: Antônio Moura) |
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árvore do bosque
não me reduz ou amplia, a palavra
mais que um único símbolo, perene,
remete a outros sua força poética
o que nunca me atordoa
acolhe-me livre e insubordinada
[o que não faz à plantada na aléia]
e selvagem me traduz, árvore
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