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leminski - cerimônia do chá
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cerimônia do chá - estética wabi |
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por fim
brilha, ainda tens luz própria
em tuas asas
que não seja pelo chamamento,
o teu brilho, mas pelo prazer
de seres
e por guardares na memória, por fim,
o que te iluminava
por ti a manhã morde o pensamento
voa com ele no cinza,
e também no azul. desfruta.
o amor é sentimentalismo, deixa-o
(fica bem na poesia dos humanos)
nada te cerceou a vida, ou prendeu o vôo
– e o sabes - , a não ser tu mesma.
sonia regina
29.9.07 |
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a morte do escritor
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a morte do escritor

I
mordido, o pensamento voa no cinza
o amor se escreve somente no poema
e faz da folha seu único lugar
II
o coração se alivia nas palavras
alguma paz ficará do rodopio,
nos lastros de cada passo
III
em carne viva o corpo do poema
avança nos versos, e seca a lágrima.
é no espelho o melhor espetáculo da doação
IV
o texto abandona a ambivalência
: só o ceticismo salva o enigma
que condensa no real a ficção
V
a arte nada transforma das imagens nuas.
veste o despido artista antes fragmentado
e, reunidos os cacos, reparte-o entre os leitores
: doação póstuma.
VI
inicia-se o texto (alheio) numa escrita
sem ponto final.
com a morte do escritor, o autor vira letra
inscrita e reescrita indefinidamente.
sonia regina
28.9.07 |
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soreg - no beijo-borboleta, o timbre dos corpos
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o beijo-borboleta
fala palavras
que nos apertam,
o beijo-borboleta.
magia que brilha,
chama... Gritam
no meu corpo
sonolentos,
bêbados sons.
sonia regina
26.9.07 |

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soreg - a magia, ecos da noite

imagem: S. Wayne
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soreg - chove um bom dia

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soreg - um mundo de águas
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um mundo de águas
trago um mundo aqui dentro
contido, cerceado
pela vontade
não de lhe dar um rumo
se não é esse o tempo
mas de cavar-lhe um lugar
em que exerça sua liquidez.
sonia regina
24.9.07 |
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venusianos de setembro e soreg - calix bento


| imagem: Jarek Kubicki
laboratório da palavra
poemas venusiansos - edição: 24.09.07
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calix bento
aceita o asfalto como ungüento o carinho que te apaga a solidão menos forte do que às vezes aparentas desnuda ficas melhor em outra mão seja tua casa o meu apartamento e não raia eventual de natação este corpo pode ser teu cálix bento labareda, solta a alma em contrição o coração livre de entendimento a bater no compasso da canção do som, muitos novos movimentos sem escusas o desejo e a intenção
a poesia não é nunca um chamamento cada verso que escreves, um clarão * volta nos vários solos agarrados à pele (ou não) na paixão que o trabalho sua dentro de ti, noutro corpo e na sensação abre-te ao poema que Vibra
vibra, somos mestre e discípula mais nenhuma revelação é possível nem é permeável a carne com que construímos o poema
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sonia regina 23.9.07
_________________________ ... e volto da queda. com vários solos agarrados à pele, trabalho. sua dentro de mim outro corpo, mantém meus poros abertos e o poema vibra. Vibra em cada um, cheira a suor a morte, transfigurada em vida.
somos discípula e mestre. mais nenhuma revelação é possível, nem é permeável a carne com que construímos o poema. __________________________ e da queda do verso volta a palavra, com vários solos agarrados à pele sim, é meu o tempo de trabalhar a voz, estudo a poética do timbre
sua dentro de mim outro corpo odores belos com sofreguidão mantêm meus poros abertos
e o poema Vibra. vibra como a flama em cada beijo-borboleta e cheira a suor a morte, transfigurada em vida
somos discípula e mestre. mais nenhuma revelação é possível, nem é permeável a carne com que construímos o poema.
sonia regina
26.9.07 |
imagem: Ufuk Ozkan |
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torquato neto - literato cantabile:pílulas
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literato cantabile: pílulas
Torquato Neto

Pílulas do tipo deixa-o-pau-rolar. na mesma base: deixa.
Primeiro passo é tomar conta do espaço. Tem espaço a bessa e só você sabe o que o que pode fazer do seu. Antes ocupe. Depois se vire.
Não se esqueça de que você está cercado, olhe em volta e dê um rolê. Cuidado com as imitações.
Imagine o verão em chamas e fique sabendo que é por isso mesmo. A hora do crime precede a hora da vingança, e o espetáculo continua. cada um na sua, silêncio.
Acredite na realidade e procure as brechas que ela sempre deixa. Leia o jornal, não tenha medo de mim, fique sabendo: drenagem, dragas e tratores pelo pântano. Acredite.
Poesia. Acredite na poesia e viva. E viva ela. Morra por ela se você se liga, mas por favor, não traia. O poeta que trai sua poesia é um infeliz completo e morto. Resista, criatura.
Sínteses. Painéis. Afrescos. Repor- tagens. Sínteses. Poesia. Posições. Planos gerais. "O Close-up é uma questão de amor". Amor.
Eu, pessoalmente, acredito em Vampiros. O beijo frio, os dentes quentes, um gosto de mel.
16/11/71 - 3ª-feira
em "Os Últimos Dias de Paupéria" Org. Wally Salomão e Ana Maria S. de Araújo Duarte Ed. Max Limonad, 1982
imagem: Sue Anna Joe |
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Leminski

imagem: sascha hüttenhain
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soreg - arcoíris, momento chique

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soreg- como criança sem compostura

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soreg - mas há uma praia

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soreg-14.09.07 e Ana Cristina Céar

imagem: marketa

| imagem: Mondiani - arte final: sonia regina [soreg]
laboratório da palavra
poemas daqui e de acolá - edição: 23.07.07
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esquecida do tempo, luz


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esquecida do tempo, a luz
também vim do caos, noite.
negra.
a cor não fermentava,
esquecida do tempo;
a luz, nada inaugurava
a não ser o poema, tudo passa.
o dia não é a realidade
olhada com o pensamento
se não existes, habitas
ou te inventas, eu tampouco.
somos como palavras
frescas, recém-escritas
livres, soltas palpitamos
sonia regina
13.9.07
uma outra versão
também vim do caos, noite. não fermentava, a cor, esquecida do tempo; a luz, nada inaugurava
a não ser o poema, tudo passa
na alegria, na ternura, o dia não é a realidade olhada com o pensamento
por isso não existes, resides ou te inventas. eu, tampouco. somos palavras frescas, recém-escritas, soltas, livres de compaixão
as que palpitam, sem qualquer entendimento. no papel, a vontade de enlouquecer
sonia regina
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imagem: RA |
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a labareda

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a labareda varreu tudo impôs outra realidade ora onda, ora partícula. o varrido num mergulho narcísico tentou um auto-retrato - que lhe escapou. volta ser líquido, movente, à procura sonia regina 9.9.07
sonhei-te magma sem nome. eras poesia, deslizavas pelas reentrâncias dos soalhos eu, labareda solta, só, ia sonia regina 14.9.07
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imagem: brian ernst
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Hölderlin
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Mas eis o dia! Esperei-o e o vejo vir, E do que vi o sagrado é testemunha. A natureza mais velha do que os tempos E acima dos deuses do Ocidente e do Oriente, Desperta num estrépito de armas. E do Éter até o fundo dos abismos Segundo firme lei, nascido como outrora, do caos sagrado
sente o entusiasmo. O criador de tudo renova-se.
Friedrich Hölderlin
(1770 -1843) Hyperion
imagem: Violeta Tarnowska |
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Da Terra - Fiama H. P. Brandão
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D A T E R R A

Amar o mar completa a minha vida com o tacto de um amor imenso. Amar areia e margem arrebata-me de júbilo e paixão. Mas veio o vento e, por momentos, amargurou o meu corpo, a oscilar. E está o sol aqui, depois de uns dias de jardim obscurecido, a beber sombra. E sei que os átomos zumbem e dançam como os insectos ébrios em redor do pólen.
Fiama Hasse Pais Brandão
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Maria Gabriela LLansel
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Luis Miguel Nava - O céu
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O céu
Assoma-se-me à alma, quem como eu traz desfraldado o coração sabe o que querem dizer estas palavras. A pele serve de céu ao coração.
Luís Miguel Nava |
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Antonio Ramos Rosa
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Não sei se respondo ou se pergunto. Sou uma voz que nasceu na penumbra do vazio. Estou um pouco ébria e estou crescendo numa pedra. Não tenho a sabedoria do mel ou a do vinho. De súbito ergo-me como uma torre de sombra fulgurante. A minha ebriedade é a da sede e a da chama. Com esta pequena centelha quero incendiar o silêncio. O que eu amo não sei. Amo em total abandono. Sinto a minha boca dentro das árvores e de uma oculta nascente. Indecisa e ardente, algo ainda não é flor em mim. Não estou perdida, estou entre o vento e o olvido. Quero conhecer a minha nudez e ser o azul da presença. Não sou a destruição cega nem a esperança impossível. Sou alguém que espera ser aberto por uma palavra.
António Ramos Rosa
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não fosse

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Roland Barthes - Em direção à escritura

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Clarice Lispector
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“Um nome para o que eu sou, importa muito pouco. Importa o que eu gostaria de ser.
O que eu gostaria de ser era uma lutadora. Quero dizer, uma pessoa que luta pelo bem dos outros. Isso desde pequena eu quis. Por que foi o destino me levando a escrever o que já escrevi, em vez de também desenvolver em mim a qualidade de lutadora que eu tinha? Em pequena, minha família por brincadeira chamava-me de ‘a protetora dos animais’. Porque bastava acusarem uma pessoa para eu imediatamente defendê-la.
[...] No entanto, o que terminei sendo, e tão cedo? Terminei sendo uma pessoa que procura o que profundamente se sente e usa a palavra que o exprima.
É pouco, é muito pouco.”
Clarice Lispector
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imagem: Carlos A.A.Pereira
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labareda
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labareda

sim, voa rasante e aceita o vinho que se desprendeu. mesmo que o incêndio inverta estabilidades e a solenidade do fogo te impressione, vai até o íntimo das veias, onde agoniza a angústia surda. Perceberás na criação um jogo de espelhos refletindo o encontro da carne com a imagem
: é um enigma sem decifração, acata-o e vai.
sonia regina
31.8.07
"Labareda" : tema de Entrecampos, poema coletivo do Grupo Escritas
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