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a essência, talvez
“Essência, é esse o nome
da nossa transação.”
Cláudio Willer
talvez a cumplicidade se vá embora,
se atravessarmos a bruma na direção
das palavras que agora nos designam.
talvez sentados no palco as encenemos,
e não seremos infelizes por isso.
a essência, inominável e invisível,
essa terá ficado.
talvez.
sonia regina
29.07.07 |
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convido-te à cerimônia do chá

deixa as palavras na porta da casa
junto com as vestes e as sandálias.
traz a nudez do teu coração
para que em gestos alongados abrace
o meu, em pânico com a imortalidade
ingênua das águias.
é quase covarde o seu medo de ser
devorado, como o fígado de prometeu
e de estar vivo sem ti à noite, quando
a febre do avesso tocar meus dedos.
sonia regina
28.7.07
imagem: Mike Cechanowicz
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uma sensação, a plasticidade

esse vento - que me revolve assim
que a noite bate na janela - deixa
à mostra a pele que envolve os ossos
como bainha em tecido acetinado.
somente uma sensação, a plasticidade
que guarda as paixões em repouso
e o coração, solo impermeável.
sonia regina
26.7.07 |
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tropeçando na fala

idéias desertas, nas mãos o gesto
das palavras, libertos os sentidos.
Dançar o que do mestre interno
chega, no assobio
com os pés. tocar o sol
menos etérea, no vazio
deixar a alma, líquida
e sonora, ser
na água doce, torrente; entre as
pedras, fonte. agradecida.
a manhã de domingo na calçada
tropeçando na fala, indo
além do pensamento
nomear a obra pela escrita do corpo,
no movimento de um fluxo
contínuo.
sonia regina
24.7.07
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além, quando cala

a poesia não é uma arma, ou flor
é simplesmente uma fala do mar,
enrolada
olha bem a palavra e escuta
traços embaralhados, as letras
têm som, dizem mais e além
da voz, quando cala
sonia regina
rio, 14.7.07 |
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imagem: Javier Regueira Serrano |
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imagem: Clive Mealey
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não fala, nem da praia

quis dizer dos transtornos, assombros,
das visões. dos subterrâneos do eu.
mas a voz não fala, nem da praia.
penso que se guarda pro sussurro,
ou o ensaia.
sonia regina
rio, 12.7.07 |
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