no fluir da metonímia: poemas e imagens

  

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poemas e imagens

além da linha d'água

 

 

 

 

 

                                                                  

        

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O céu - Luís Miguel Nava

 
 

O céu

 

 

 

 

 

 Assoma-se-me à alma, quem
 
como eu traz desfraldado o coração sabe o que querem
 
dizer estas palavras.
 
A pele serve de céu ao coração. 

 

 

                                                               Luís Miguel Nava

 



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Por aceno, um rastilho de sílabas







Por aceno, um rastilho







A natureza desperta para o murmúrio das águas,

para a flor e para o silêncio que mora no movimento

da sede que cresce nos lugares mais inusitados

do rio, ao encontro das ondas.

Num fluir discreto se escuta a paixão

da voz ausente, oculta na floresta interior.

É lá que ressoa a vida e não no areal

sem brinquedos onde nada irrompeu,

da raiz enroscada na pedra,

senão uma rosa escarlate.

Desmanchou-se em pétalas,

pela chuva suave, e entregou-se

ao acolhimento das marés

na ressaca da ‘maior lágrima, o mar’,

onde nadou sem mais se debater,

em direção ao horizonte.


Nenhuma palavra acesa na praia

à qual não se tardaria alcançar.

Por aceno, um rastilho.


Sonia Regina
17.5.07



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  Da Terra 

 

Amar o mar completa a minha vida
com o tacto de um amor imenso.
Amar areia e margem
arrebata-me de júbilo e paixão.
Mas veio o vento e, por momentos,
amargurou o meu corpo, a oscilar.
E está o sol aqui, depois de uns dias
de jardim obscurecido, a beber sombra.
E sei que os átomos zumbem
e dançam como os insectos
ébrios em redor do pólen.

 

                                      Fiama Hasse Pais Brandão



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quando chovo no mar

  

 se num tempo silencioso rolo, pranto confundido

e me debruço, lágrima, sem a voz de uma procura

 

lavo os olhos, me delicio, molho a alma, fluidifico a vida

 

e sigo o curso: brilho, lago; contorno obstáculos, regato;

e fluo, rio.  líquido ciclo me eterniza.

 

evaporada, densidade transmutada, longe das idéias,

secretas; condensada no ar, paro

 

é quando chovo, no mar.

  

sonia regina

rio, 16.5.07



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                               imagem: Josephine  Chervinska

 

 

somente um meio de umedecer a alma

 

  

quero um simples cotidiano que se repita harmonicamente,

nada de personagens singulares, acordes inimaginados.

por favor, não me deixes sem ti num conjunto de sons

imprevistos, num arranjo jazzístico que arrepia e causa

desejo de também compor e com ele improvisar para além

do rotineiro, do esperado, do previsível, numa aventura

de corpos e almas que se experimentam e se buscam.

 

deixa-me quieta, que silenciem todas as emoções

quando do meu leito partires, e seja o choro

somente um meio de umedecer a alma.

 

 

sonia regina

rio, 08.5.07



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areia,corpo da sombra

 



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nem sempre há versos à tona

 

 

 nem sempre há versos à tona

 

 

deita-te nas entrelinhas, a arte

do abandono não é ensinada

e nem sempre há versos à tona

 

quebrada a realidade do poema,

trabalha nas aparentes ruínas

 

elas provocam sensações

que contam histórias

                       

    

sonia regina

rio, 02.05.07 



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