no fluir da metonímia: poemas e imagens

  

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no fluir da metonímia

poemas e imagens

além da linha d'água

 

 

 

 

 

                                                                  

        

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que entre pelas frestas

 

 

  

mas é imperioso que se fale do obscuro

e se escreva dos horrores e pesadelos,

para que a claridade entre pelas frestas

das ruas da cidade e mergulhe na alma

dos que, sentados nas calçadas, temem

principiar a posteridade.

 

sonia regina

22.4.07



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TÁ CHEGANDO A  MAIOR FESTA LITERÁRIA DA AMÉRICA LATINA

Começam a chegar notícias...    
 
A data da FLIP deste ano já está confirmada para os dias 4 a 8 de julho.

O escritor homenageado será Nelson Rodrigues.

A FLIP contará com a presença do escritor sul-africano J. M. Coetzee, prêmio nobel de literatura de 2003. A sua exposição vai tratar da obra de Samuel Beckett.  A Companhia das Letras lançará o livro "Slow Man" de 2005.

 

 

NO ESTADO DO RIO DE JANEIRO,  A FESTA INTERNACIONAL LITERÁRIA DE PRATY   (FLIP 2007)



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inexiste, apesar da crença

 

 

inexiste o que à noite bata às portas inseguras,

outrora abertas quando as janelas perdidas

no morno da aragem despediam-se da memória

 

a suavidade da brisa não anuncia o furacão

que vem de longe e acorda o turbilhão da casa

que, na madrugada, desmorona, agarrando-se

à crença na manhã de algum poema incompleto

 

à tarde são simples palavras estendidas nos varais

vazios, versos inúteis para a vida, instintos atiçados,

acossados

no deserto florido.

  

sonia regina

rio, 19.4.07



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Vem vento, varre!



Vem vento, varre
sonhos e mortos.
Vem vento, varre
medos e culpas.
Quer seja dia,
quer faça treva,
varre sem pena,
leva adiante
paz e sossego,
leva contigo
noturnas preces,
presságios fúnebres,
pávidos rostos
só cobardia.

Que fique apenas
ereto e duro
o tronco estreme
de raiz funda.
Leva a doçura,
se for preciso:
ao canto fundo
basta o que basta.

Vem vento, varre!

 

Adolfo Casais Monteiro

 


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aos goliardos I - doce, livre de prisão ou exílio

aos goliardos

 

I - doce, livre de prisão ou exílio

 

1

 

 

poema, imagem suspensa

entre a luz e a sombra

digno, clean, sem nostalgia

 

: um hálito além do lamento.

 

 

 

2

 

 

a anestesia que fere os lábios,

a fuga da simetria, consertos,

reformas, tentativas, ensaios

 

pensamentos nunca trarão

grandeza aos acenos

 

 

 

3

 

 

as fragilidades não levam ao fracasso,

como o medo. há marcas involuntárias,

 

mas não casuais.

 

 

 

4

 

 

pisa um sonho

torna-o chão

um caminho doce

 

livre de prisão ou exílio

 

 

sonia regina

19.4.07



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aos goliardos II - viagem (2)

aos goliardos

 

II - a viagem (2)

 

1

 

 

quando o existir vibrar harmonia

e houver movimento na quietude

lá se reunirão corpo e alma

 

 

 

2

 

 

no giro da essência quem se procura flor

não se encontra além das pétalas

mas dança como elas à volta do centro o despertar do sentido.

 

 

 

3

 

 

quando o dia couber inteiro na noite clara,

tocarei o passado e saberei porque está sempre começando o tempo

 

 

 

4

 

 

se viajar pelo riso da terra, saberei nas águas

do fluir secreto da beleza e da cura.

 

 

 

sonia regina

19.4.07



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