no fluir da metonímia: poemas e imagens

  

          online

       

no fluir da metonímia

poemas e imagens

além da linha d'água

 

 

 

 

 

                                                                  

        

 I site 'um poema' I posts anteriores I

                                                                                          

 

         
 

 

 

 http://br.groups.yahoo.com/group/laboratoriodapalavra   -      e-mail: soniareginabrasil@uol.com.br

 

      

Passeio no Rio

 

 



O claro vento - que é?
Algo para amar, não para ser nomeado
Passa como um príncipe
Entre os elogios das árvores
Deixemos~que a barca nos conduza
Não vamos a parte alguma!
Estendido de barriga para o ar, saúdo
A brisa que anda por aí
Bebo à saúde do espaço
Nem ela nem ele pensam em mim
- Que bom: eu também não. Anoitece.
Nuvens brilhantes sobre as águas luminosas.

 

Su Dongpo

Yoshitoshi-Penhasco Vermelho    


by SR
[ enviar post ]


 http://br.groups.yahoo.com/group/laboratoriodapalavra   -      e-mail: soniareginabrasil@uol.com.br

 

Na ilha por vezes habitada

 

 

Na ilha por vezes habitada do que somos, há noites,

manhãs e madrugadas em que não precisamos de

morrer.

Então sabemos tudo do que foi e será.

O mundo aparece explicado definitivamente e entra

em nós uma grande serenidade, e dizem-se as

palavras que a significam.

Levantamos um punhado de terra e apertamo-la nas

mãos.

Com doçura.

Aí se contém toda a verdade suportável: o contorno, a

vontade e os limites. Podemos então dizer que somos livres, com a paz e o

sorriso de quem se reconhece e viajou à roda do

mundo infatigável, porque mordeu a alma até aos

ossos dela.

Libertemos devagar a terra onde acontecem milagres

como a água, a pedra e a raiz.

Cada um de nós é por enquanto a vida.

Isso nos baste.

  

José Saramago,

Provavelmente Alegria



by SR
[ enviar post ]


 http://br.groups.yahoo.com/group/laboratoriodapalavra   -      e-mail: soniareginabrasil@uol.com.br
 

A palavra que faltou e não virá

 

 

Michel Ducruet

 

 

Era tarde para expressar meu lamento, quando eu soube do ‘falecimento’ da Meg: já dado como pretenso, foi contribuinte ativo da densidade do final de semana que revolveu parte da intelectualidade brasileira e portuguesa em seus blogs, sites e listas. Em tela, a palavra. Em cena a morte, a doença, a loucura, a farsa, os motivos. Como protagonistas Paulo José Miranda - escritor português residente em São Paulo, vencedor do primeiro Premio José Saramago em 1999 - e Maria Elisa Guimarães (Meg), do Subrosa weblog, professora de Filosofia, crítica e animadora cultural.

 

Não sei dos motivos ou o que 'encenam' a Meg e o Paulo. Dizer que o conheço pessoalmente é frágil afirmação, embora tenhamos nos encontrado e conversado muito - junto com amigos comuns que nos apresentaram - por duas vezes, em 2006: uma delas num jantar pequeno que lhes ofereci em minha casa. Tampouco a Meg e eu nos conhecíamos pessoalmente: houve um momento – breve -, também no ano passado, em que nos cruzamos e correspondemos por e-mail.

O suficiente para que ela visitasse e indicasse meu blog como um dos seus favoritos; para que o texto de Haroldo Maranhão, postado por ela, fosse por mim publicado no periódico digital Laboratório da Palavra. A parte gostosa da rede, agindo.

 

Sei que a esses nomes correspondem pessoas reais que não me foram indiferentes, pelo contrário. E que esse turbilhão em que se meteram é a parte não-gostosa da rede. A parte que me invade a casa para contar do que não cogito ou quero partilhar.

 

Uma farsa, essa morte? Uma encenação, uma performance, um espetáculo que tem causas e produz efeitos nas pessoas e personas, nos mundos virtual, real, imaginário – talvez até no simbólico. E jamais se saberá dos danos - que nunca serão qualificados ou quantificados -, se é a vida “uma fúnebre farsa em que nós – mais ou menos inconscientes – representamos os mais diferentes papéis, pobres marionetes nas mãos do destino cego” [PIRANDELLO].  A citação é de A Dúvida de Pirandello, de Gustavo Bernardo, onde também li:

 

"Pirandello reduz o leitor a uma série de peças de um mosaico, detonando a noção de unidade. O ser humano que surge a partir dessa detonação é irônico como um desenho cubista. Abandonado pelo destino, percebe a contingência em todas as coisas – mas não se resigna a ela.

Sua liberdade é uma ficção – pois que seja.”

 

De todos os ditos, o mais aprisionado me parece ser o da protagonista Meg. É dela a palavra que faltou e não virá, porque morreu - sem falecer -, o que lamento. Este, não é tarde para expressar.

 

 

Sonia Regina [ soreg]  -  Rio de Janeiro, 29.1.07

 http://br.groups.yahoo.com/group/laboratoriodapalavra/message/712



by SR
[ enviar post ]



 

 
Meu perfil


BRASIL, Mulher







 

tros sites
 
UOL - O melhor conteúdo