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eterno retorno V (não há pressa no vento)

talvez porque estranhamente colora o cenário viajar no insólito, colhendo a paisagem inteira
dia e noite
todo o tempo
ontem, hoje ou amanhã
não há pressa, o vento sopra
em várias direções
e íntegro retorna, eternamente ar
como o mar que avança, onda
para além da ressaca
sem qualquer previsibilidade.
sonia regina
rio, 29.9.06
imagem: Demarquet Geoffroy
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eterno retorno IV (é setembro: as sementes caem na terra)
ouvimos trombetas, do nada sentimos com os anjos a pulsação do verbo nas veias, palavra terna e breve
: mas não aprendemos o trinado dos pássaros.
saí do teu colo, confiei no mar pra lá do areal, além do pó a espera não era uma esperança vazia.
hoje eternizo o olhar que retorna na visão do salto
busco no invisível azul um deus pequeno, revigorado nas raízes de uma árvore seca, nas linhas firmes dos lábios a boca aberta, na abertura da fome
é setembro, as sementes caem na terra
realizam a nutrição num ciclo natural,
na medida justa do cultivo.
sonia regina
rio, 24.9.06 | |
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antes a brisa
“Escrevo-te enquanto algo resvala, acaricia, foge e eu procuro tocar-te com as sílabas do repouso como se tocasse o vento ou só um pássaro ou uma folha.” Ramos Rosa
não é a ventania que acolhe a tua escrita
enquanto algo resvala, acaricia, foge;
antes a brisa, que recebe as sílabas, página,
ou pássaro, escreve em minha pele, já vento,
do sopro dos teu dedos em meus lábios
como penas dando o sentido da felicidade
ao meu corpo, no movimento do lume
[a paciência do amor em ondulação suave]
o toque roçando o fundo aberto da palavra
o centro, que cintila branco
[em nós]
dentro, onde pulsa o sol.
sonia regina
26.9.06
imagem: Demarquet Geoffroy |
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pelos dedos, como penas
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“sofres de não saber
o que tens e falta
num lugar que nem sabes,
mas que é tua vida,
quem sabe é teu amor.
O que tu tens, não tens.” Thiago de Mello |
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ama o amor. seja qual for o diabo
(ou o deus), olha-o nos olhos
conhece o prazer que lhe dá prazer
aprende do lume que ensina ao corpo
a difícil arte do abandono das palavras
atravessa com ela os resíduos
o desejo que começa na mente, deixa
que escape pelos dedos, como penas.
sonia regina
rio, 25.9.06 |
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encontro-te

encontro-te no tremor da madrugada esperando a manhã
quando nada mais haja no rumor na escuridão senão o som
de nossos gestos no esvoaçar ritmado das sombras
a paixão revelada no sorriso entre os lábios.
sonia regina
rio, 23.9.06
imagem: Demarquet Geoffroy |
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sol derramado perfumando o medo

afundo no movimento do poema, na quietude
apaixonada da palavra que se solta da página
como dizer-te da hora em que caminha o ardor
da minha fragilidade? ouço teu beijo convocar
meu hálito à segurança do teu peito, água ágil
a me inundar o corpo de sonhos refeitos
e se aceito a flor da cortesia que me ofereces
é porque em minhas veias em segredo flui
teu cheiro, sol derramado perfumando o medo.
sonia regina
rio, 22.9.06
imagem: Shirin Neshat |
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Ferreira Gullar |
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"Como sugeriu Mallarmé, o poema é um lance de dados que jamais eliminará o acaso.
E digo mais: o poema não é a expressão do que se viveu ou experimentou. Se eu sinto um cheiro de jasmim na noite e escrevo um poema sobre esse fato, o que faço não é expressar tal experiência, mas, na verdade, usá-la como impulso para inventar uma coisa que não existia antes: o poema, o qual se somará a todas as galáxias, planetas, cometas, oceanos e tudo o mais que exista no universo. E o universo será, a partir de então, tudo o que já era mais aquele pequeno agregado de palavras, nascido de um perfume."

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Fragmento de E o cronista endoidou...
Fonte: Folha Ilustrada - 19.06.2005 http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrad/fq1906200521.htm |
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Henri Matisse, Jazz IX, 1949 |
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eterno retorno III (retorno nas sombras em que sou movimento)
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“ É o vento quem me guia, a luz me orienta, as sombras o que me move”
Henrique Fialho * |
e é nesses momentos
em que sou o que sou, sem alarde
cautela ou qualquer bagagem
serenidade solta, simplesmente
suave
como o vento que faz a curva
depois de ser tempestade
é em alturas como essa, em que nada sou
que retorno
nas sombras em que sou movimento
individualidade, ser inteiro e parte
como a folha, quando regressa à árvore
a gota que é mar e rio
como a tarde que foi manhã
e o crepúsculo que ainda é dia
diferem só na claridade.
sonia regina
rio, 20.9.06
* (fragmento de Tese, in Ensaio sobre o banal – na revista Minguante) |
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eterno retorno II (o sorriso de sísifo)
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Assim, convencido da origem totalmente humana de tudo o que é humano, o homem cego, ansioso para ver, que sabe que a noite não tem fim, este homem permanece em movimento. A rocha ainda está rolando. (...) A própria luta em direção às alturas é suficiente para preencher o coração de um homem. Deve-se imaginar Sísifo feliz.
Albert Camus. O Mito de Sísifo |
gira o mundo, a memória testemunha e
sela o sopro das fronteiras, na saudade
passa o tempo, ultrapassa o espaço
e continuamos mergulhando no som
dos pássaros. sempre o mesmo sonho
[na oração possível]
acalenta a alma anestesiada no corpo
se a poesia diz do infinito com palavras
que não se derrotam e nascem
de um sorriso.
sonia regina
rio, 14-19.9.06 |
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 Um corpo, certamente. Mas que é um corpo? Boca, seios, coxas, sexo, um sorriso, a mão que afaga, voz? Que trevas, quais trevas, de esquecer ou ir tão fundo quando o desprender-se da alma abre nas portas da luxúria os céus em fogo?
Adolfo Casais Monteiro, Céus em fogo in Eros de passagem, 1982.
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a chuva, o ciclo
mira o pão
desde o cultivo
o trigo, a terra, a mão
a chuva
o ciclo
essa tristeza, mira
desde o princípio
o amor, a dor, a mão
a chuva
o ciclo
sonia regina
rio, 18.9.06 |
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embrenhadas em desapontamentos
quando falei contigo pela última vez
- e pela primeira você nada disse -
do teu olhar assustado a morte me fitava,
crua e nua me enfrentava
sustentei aquele embate silencioso
sem lágrimas, coragem ou docilidade
debulhei-me em palavras e cobri teu coração cansado,
que se despedia do movimento
ontem, na carta de um livro sobre o tempo
encerrado nas datas, tu me agasalhaste
perguntas que ainda me vêm, embrenhadas em desapontamentos,
e me acordam a delicadeza, numa dádiva sem lágrimas
eu as respondo, sem economia de palavras
: penso que reaprendi a gastar o amor.
sonia regina
rio, 17.10.06
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O olhar de Shakespeare
"Meus olhos, só pela visão dos seus, Pingam de amor. O encanto se dissolve; E como a aurora surpreende a noite Derretendo o negror, os seus sentidos Renascem e começam a banir A névoa de ignorância que ora encobre A razão clara. "
( Shakespeare. A Tempestade. Ato 5, Cena 1)
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olho demoradamente para ver se escuto
o que me diz essa madeira que já não guarda,
sequer, a cor da árvore
nada ouço
nenhum pingo
apenas sinto um leve vibrar se a toco,
como se lhe tivessem arrancado as cordas vocais
uma porta na parede branca, aberta
máscaras de várias partes do mundo
nenhum rosto
sonia regina
rio, 17.9.06 |
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à volta, na qual ninguém se perde
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“Ninguém se perde na volta” - Antonio Adriano de Medeiros |
em meio ao tudo e ao nada, a prosa
num não à nostalgia, os vivas
à volta, na qual ninguém se perde
e à poesia... que fica.
sonia regina
rio, 14.9.06 |
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sodade
afetos entre estilhaços de vidro, no chão
o deleite, a vida que se esparrama num
rumor que não se esconde da inquietude
sodade, “perdi la luz de tu recuerdo" [1]
chove no tempo em que misturava sexo
com amor, camões acendia meu ar
e eu tentava abraçar o mundo
com um coquetel molotov
hoje o sol me tocou antes do sereno
e me arrancou um sorriso
“como o olho que vê o que vê" [2]
no leito o corpo cansado, parado
nu, sem coisa nenhuma.
sonia regina
rio, 13.9.06
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[1] Pilar Ilara
[2] Paul Valéry |
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eterno retorno (I)
escolho a casa no terreno nu, há uma clareira e a horas de véspera a primavera sonha na sombra a paisagem rara da música azul. nem longe nem perto o substantivo
singular, comum, põe em dúvida o Deus que acendeu o verão no cantar das aves em eterno retorno ao sul. chove a insuperável verdade na travessia de montes e vales
: cais no rio pro grito do mar.
sonia regina rio, 9.9.06
a horas de véspera - Pero Vaz de Caminha narra: "Neste mesmo dia, a horas de véspera (período de entre 15h e o pôr do sol), houvemos vista de terra! A saber, primeiramente de um grande monte, mui alto e redondo, e de outras serras mais baixas ao sul dele"
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O TEMPO DE UM LIVRO
1.
Meu querido,
Gira o mundo, a memória testemunha e sela o sopro das fronteiras, na saudade. Dez anos! Passa o tempo, ultrapassa o espaço, e por aqui continuamos mergulhando no som dos pássaros. Sempre o mesmo sono sem orações possíveis para acalentar a alma anestesiada no corpo, se a poesia diz do infinito com palavras que se derrotam ao nascer de um sorriso iníquo e injusto.
Talvez seja um despropósito tardio acordar da delicadeza com percepção tamanha, na intensidade de dores e prazeres. Lembro-me de uma pergunta embrenhada num desapontamento acerca de assim ter podido vir a ser. Por resposta, um gesto e uma expressão. Aos quais retorqui com um “e assim mesmo me ensinou a crer?” ao qual obtive novo sim, num meneio simples e terno da cabeça. O paradoxo dessa lição só hoje eu apreendo, e fico sem saber o quê e onde rezar, se o céu habita casas abandonadas e nos templos há vendilhões. Jesus não tem mais o chicote, embora reste a solenidade do seu dito “sede prudente como a serpente e simples como a pomba”.
Teclo na mesa as canções que guardei de ouvido e a música ecoa do piano que não mais tenho. Indolente suavidade em brasa, depois de tanto fogo. Ágil, depois de tanta contração. Vil, depois de tanta pureza. Pecadora da vida, da paz, da harmonia. E o que me diz o seu canto é que, para além da cauda de prêmios e louvores tocados pelo sol num escrito, numa leitura, há uma estesia que, propriamente sendo, ao sabor do vento anuncia o conviver com as diferenças e o acreditar no sublime, o que não é menos árduo ou mais suave.
Um encontro breve e intenso, jamais diluído em tantos anos perdidos. Honestamente compartilhamos. Ousamos o afeto e muitos dirão que deliramos, que tivemos ideais ultrapassados, que carregamos bandeiras inglórias.
Nunca mais voltei à tua janela em frente ao mar, mas nele já não se vê os barcos. Continuo, entretanto, a buscá-los no horizonte e com cuidado e atenta observo a minha bondade, fica tranqüilo. Rezo um pai-nosso para ti e o credo para mim - do meu jeito -, acreditando que já imprima em cada passo uma expressão das minhas impressões sem queimar os pés. E mesmo que por vezes me liquefaça no dizer do silêncio dos corpos interiores, celebro ainda o olhar que, de maneira fraternal e amorosa, me fale do mistério da vida e do ofertório possível na pedra fria de um altar que já não se presta a libações em qualquer capela.
Pouco sei da gazela que se contentava em correr pelas matas atrás de um abraço do vento e esta é a minha atual oração: um elogio à loucura que comete poesias, que se encontra - corajosa e humildemente - com a palavra e a imagem, numa sagração que enlaça e tece testemunhos, desejos, presenças.
Como a tua, dentro de mim.
Sonia Regina
Rio, 9.9.06 |
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Life - Adonis Werther |
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não te prometo um jardim de rosas * |
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não te prometo um jardim de rosas, ou te peço
que deixes a pipa, teus brinquedos de menino
tuas fantasias. nelas entro, com as minhas.
são tantos os sonhos, amor
e é tão curta a vida.
sonia regina
rio, 6.9.06 |
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* Nunca lhe Prometi um Jardim de Rosas. Coleção Romance e Psicanálise. Rio de Janeiro: Imago, 1974. |
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Algo existe
Emily Dickinson Tradução de Lucia Olinto
Algo existe num dia de verão, No lento apagar de suas chamas, Que me impele a ser solene.
Algo, num meio-dia de verão, Uma fundura - um azul - uma fragrância, Que o êxtase transcende.
Há, também, numa noite de verão, Algo tão brilhante e arrebatador Que só para ver aplaudo -
E escondo minha face inquisidora Receando que um encanto assim tão trêmulo E sutil, de mim se escape.
75 Poemas de Emily Dickinson. Sette Letras, 1999 |
Verão na Praia do Leblon, Rio de Janeiro - Hoje, Ontem, Amanhã |
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poemas daqui e de acolá - edição 21.8.06 |
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trilhar |
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em linha reta caminhar sem olhar para o lado
como um cavalo seguir, sem mirar a parelha
: livre – interiormente - pra avançar.
sonia regina
4.9.06 |
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esse passo que escrevo
esse passo que escrevo, assim "solene" *, me comove.
" Receando que um encanto assim tão trêmulo E sutil, de mim se escape " *
choro.
sonia regina
rio, 03.9.06
* Emily Dickinson |
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| Paulo Leminski Filho |
Um deus também é o vento Só se vê nos seus efeitos Árvores em pânico Bandeiras Água trêmula Navios a zarpar.
Me ensina A sofrer sem ser visto A gozar em silêncio O meu próprio passar Nunca duas vezes No mesmo lugar
A este deus Que levanta poeira dos caminhos Os levando a voar Consagro este suspiro
Nele cresça Até virar vendaval |
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| Torquato Neto |
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Cogito
eu sou como eu sou pronome pessoal intransferível do homem que iniciei na medida do impossível
eu sou como eu sou agora sem grandes segredos dantes sem novos secretos dentes nesta hora
eu sou como eu sou presente desferrolhado indecente feito um pedaço de mim
eu sou como eu sou vidente e vivo tranqüilamente todas as horas do fim. |
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Louvo agora e louvo sempre O que grande sempre é Louvo a força do homem E a beleza da mulher Louvo a paz pra haver na terra Louvo o amor que espanta a guerra Louvo a amizade do amigo Que comigo há de morrer Louvo a vida merecida De quem morre pra viver Louvo a luta repetida A vida pra não morrer
Vou fazendo a louvação... De todos peço atenção Atenção, atenção Falo de peito lavado Louvando o que bem merece Deixo o que é ruim de lado Louvo a casa onde se mora De junto da companheira Louvo o jardim que se planta Pra ver crescer a roseira Louvo a canção que se canta Pra chamar a primavera Louvo quem canta e não canta Porque não sabe cantar Mas que cantará na certa Quando enfim se apresentar O dia certo e preciso De toda a gente cantar
E assim fiz a louvação Louvação, louvação Do que vi pra ser louvado Ser louvado, ser louvado Se me ouviram com atenção Atenção, atenção Saberão se estive errado Louvando o que bem merece Deixando o ruim de lado |
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Louvação
Gilberto Gil e Torquato Neto
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