no fluir da metonímia: poemas e imagens

  

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no fluir da metonímia

poemas e imagens

além da linha d'água

 

 

 

 

 

                                                                  

        

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território e cenário




atravessa a tarde um ar impregnado de escuridão
num movimento imperceptível o tempo pisca
certezas. a mesma luz que leva ao êxtase agride
o papel com velocidade, para que nele se imprima
o instante num colorido profundo
 
sei que o abstrato e o concreto, como o vento
e a brisa, são uma só realidade
 
diferem apenas na delicadeza da passagem
 
sei que da existência à vida há a mesma travessia
mas, por vezes, o mundo bebe-me o cotidiano
sem me dar opções de atualização
 
então cogito acerca da falta que me faz o chão
que guarda o som dos teus passos, sem conseguir
expressão medito com as asas das borboletas
sentadas na palma da rosa até que o café corra
em minhas veias e faça-me cintilar de calor e cor
 
é quando sopro com força esse hálito íntimo
linguagem e imagem querendo ser território
e cenário. bailo contigo onde o figurativo
é o visível rio a cascatear azul, onde viajam
teus dedos numa barca de possibilidades.
 
 
sonia regina - rio, 30.5.06



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sem fôlego para uma mudez cantada

 

 

 

é preciso magnetizar o corpo da poesia, farta

de ser canção sem canto que lhe aproveite

musicalmente a voz, cansada de ser só fôlego,

mudez cantada  num ou noutro gemido

suspiro, grito

 

é preciso ouvir o poema que diz assim, num repente,

que não escreverá amém a letras espelhadas, sílabas

entrecortadas por tons ausentes de música e dança

 

é preciso, urgentemente, atentar à fome de ardor

e ameaça da palavra crua.  não importam os ardis,

quer ser rodeada -  em seu orgulho -, com coragem

eriçada,  até o reconhecimento da alegria [séria]

de viver, nos versos, uma dança nua de amor e raiva.

 

 

sonia regina

rio, 30.5.06

 

 



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miradas

 

 

mirar não é ver, mas esse teu olhar me povoa

de visões a flor da calma.  e eu, imprecisa vaga

nos filamentos das estrelas do mar, sonho

peixes sem rede a tocar  o impenetrável véu

do sabor  se, da lava da solidão, avança

a alma certa

 

pétala a pétala.

 

sonia regina

rio,  29.5.06

 

 

 



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no brotar dos dias

 

há brotos novos na letra.

sem mudez, como as flores

no desabrochar sem pressa

dias que nem sempre partem,

nem sempre estão à deriva:

há os que chegam,

cavalgando carícias

 

no regaço das carências

movimentos febris, largos

na roda do rumor possível

 

e, ao cair da tarde, o verso

que espelha  - vermelha –

a eternidade em si.

 

sonia,

29.5.06



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ginga

 

 

a minha poesia ginga,

como um felino atento

em cada poro

roda, dá a volta

revira os olhos, gira

 

com sensualidade e ternura

inova, no silencio da página

 

escreve-se, a minha poesia,

como uma canção voadora

entregue em cada acorde

em contraponto ao toque

 

ao som de braços que envolvem,

lábios recolhem beijos-borboleta.

 

sonia regina

rio,  28.5.06

 



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no pressentir das pétalas

 

 

o frio espanta o desejo, que se mantém recolhido.

mas fico bem aqui, na madrugada, devaneando

entre as pétalas que somente pressinto

 

ilha florida que não desenho, sem as tuas mãos.

 

sonia regina

rio,  25.5.06

 



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para florir um poema

 

 

 

que dizer do verde tom que, entre dois umbigos,

é um rito de pássaros - sem tempo e espaço?

troco o bonito simplesmente apreciado

por esse momento, que esconde o infinito

 

na carne a duração dos instantes sabe

da mão que constrói a floração do poema

 

e no encontro das silabas a palavra diz.        

 

sonia regina

rio,  25.5.06

 



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tatuagem





marca minha pele, o teu olhar.
como tatuagem veste-me o corpo
de um brilho que só a ti responde,
se tocado no sensível

nem há vergonha, nas entranhas.
ao toque dos teus dedos vibram
como um piano, signo colorido
a fazer-se água

e há o preto, e o branco da alma
[que te aguarda]
para ser aquarela

vermelha, amarela, azul.


sonia regina
rio,  24.5.06



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asteriscos 4

 

 

 

 

plenilúnio...a lua anuncia o amanhecer
o céu deitou com a terra, nasceu o dia.

 

 

sonia regina

rio, 24.5.06

 



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PÍRAMO E TISBE

 

Esta história só é contada por Ovídio. É bastante característica do que há de melhor em seu estilo: boa narração, vários monólogos retóricos e, em meio, um pequeno ensaio sobre o amor.

 

Já houve um tempo em que o vermelho profundo das bagas da amoreira era branco como a neve. A mudança de cor resultou de um fato muito estranho e triste: a morte de dois jovens apaixonados.

Píramo e Tisbe, ele o mais belo dos jovens e ela a mais bela virgem de todo o Oriente, viviam na Babilônia, a cidade da rainha Semíramis, em casas tão próximas que apenas uma parede comum as separava. Crescendo assim, lado a lado, aprenderam a amar-se mutuamente.

Queriam muito casar-se, mas não havia como vencer a proibição dos pais. O amor, porém, não pode ser proibido. Quanto mais se cobre a chama, mais forte ficam as labaredas. Além disso, o amor sempre acaba encontrando suas soluções. Não era possível manter separados esses dois jovens cujos corações explodiam de amor.

Na parede que separava as duas casas havia uma pequena fenda da qual até então ninguém se dera conta. A quem ama, porém, não há nada que passe despercebido. Nossos dois jovens descobriram-na, e através dela começaram, então, a sussurrar doces palavras de amor, Tisbe de um lado e Píramo de outro. A odiosa parede que os separava transformara-se em sua única forma de contato. "Não fosse tua existência, poderíamos estar juntos e beijar-nos", costumavam dizer, referindo-se a parede. "Mas, pelo menos, podemos falar através de ti. Permites que doces palavras de amor cheguem aos nossos ouvidos apaixonados. Não somos ingratos." Assim falavam e, quando a noite chegava e tinham de separar-se, era na parede que davam os beijos que não tinham como chegar aos lábios do outro lado.

 

Todas as manhãs, quando o alvorecer já expulsara do céu as estrelas e os raios do Sol já haviam secado a geada que endurecia a relva, iam furtivamente até a fenda e ali ficavam, às vezes trocando as mais doces juras de amor, outras vezes lamentando o triste destino a que pareciam condenados. Suas palavras, porém, eram sempre trocadas em forma de sussurros quase inaudíveis. Por fim chegou o dia em que não tinham mais condições de continuar suportando aquela situação. Decidiram que, naquela mesma noite, iriam tentar fugir e atravessar a cidade em direção ao campo, onde finalmente poderiam ficar juntos em liberdade. Combinaram encontrar-se em um lugar bastante conhecido – o Túmulo do Nilo -, sob uma árvore que ali havia, uma grande amoreira cheia de bagas brancas como a neve, e perto da qual murmuravam as águas frescas de uma fonte. O plano lhes pareceu perfeito, e para eles aquele foi o mais longo dia de suas vidas.

Por fim, o Sol mergulhou no oceano e a noite chegou. Na escuridão, Tisbe saiu furtivamente de casa e, fazendo o possível para não ser vista, dirigiu-se para o túmulo onde haviam combinado encontrar-se. Píramo ainda não tinha chegado, a ela ficou a esperá-lo com a coragem fortalecida pelo amor. De repente, porém, a luz da lua permitiu-lhe divisar o vulto de uma leoa que se aproximava. A fera selvagem tinha acabado de matar uma presa; tinha as mandíbulas ensangüentadas, e vinha saciar a sede na fonte. Estava ainda a uma distância que permitia a fuga de Tisbe; mas, ao correr em busca de um abrigo seguro, a jovem deixou cair a capa que trazia aos ombros. Ao voltar para o seu covil, a leoa viu a capa e, antes de desaparecer na floresta, abocanhou-a e fez dela apenas um monte de trapos. Ao chegar, poucos minutos depois, foi com essa cena que Píramo se deparou. Diante dele estavam os farrapos ensangüentados da capa e, visíveis na obscuridade, as pegadas da leoa. A conclusão era inevitável: Tisbe estava morta. Ele permitira que seu amor, uma jovem tão delicada, viesse sozinha para um lugar tão cheio de perigos, e ali não estivera para protegê-la. "fui eu que te matei", exclamou. Do solo espezinhado, levantou o que restava da capa e, beijando-a muitas vezes, levou-a consigo para perto da amoreira. "Agora", disse ele, "beberás também do meu sangue." Desembainhou a espada e cravou-a no coração. O sangue, lançado em borbotões, atingiu em cheio as bagas da amoreira, que então se tingiram de um vermelho-escuro.

Apesar de ainda apavorada com a leoa, o grande medo de Tisbe era não conseguir encontrar seu amado. Assim, resolveu arriscar-se a voltar para junto da árvore onde haviam marcado o encontro, a amoreira dos reluzentes frutos brancos, mas não conseguia encontrá-la. A árvore era a mesma, mas seus ramos não deixavam entrever um só lampejo de brilho branco. Ao olhar bem, percebeu que alguma coisa se mexia no chão. Recuou, trêmula, mas no instante seguinte, firmando os olhos por entre as sombras, viu claramente o que se passava ali: Píramo, banhado em sangue e quase morto. Voou para ele e o tomou nos braços, beijando-lhe os lábios frios e implorando-lhe que a olhasse e falasse. "Sou eu, a tua Tisbe, a tua amada!", disse-lhe a chorar. Ao ouvir o nome que tanto amava, Píramo entreabriu os olhos pesados e olhou para Tisbe pela última vez. Em seguida, a morte se encarregou de fechá-los para sempre.

Ela então viu a espada que lhe caíra das mãos, e bem perto dela a sua capa manchada de sangue e esfarrapada. Num instante, compreendeu tudo. "Tua própria mão te matou", disse, "e teu amor por mim. Também posso ser corajosa, também eu posso amar. Só a morte teria tido o poder de nos separar, mas agora deixará de ter esse poder." Cravou no coração a espada ainda úmida do sangue de seu amado.

Por fim, os deuses se apiedaram, e o mesmo fizeram os pais dos dois jovens. O fruto vermelho-escuro da amoreira ficou sendo a eterna recordação desses amantes fiéis e verdadeiros.

Suas cinzas estão contidas em uma única urna, pois nem a morte foi capaz de separá-los.



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Hora

Sophia de Mello Breyner Andresen

 

 

 

Sinto que hoje novamente embarco

Para as grandes aventuras,

Passam no ar palavras obscuras

E o meu desejo canta - por isso marco

Nos meus sentidos a imagem desta hora.

 

Sonoro e profundo

Aquele mundo

Que eu sonhara e perdera

Espera

O peso dos meus gestos.

 

E dormem mil gestos nos meus dedos.

 

Desligadas dos círculos funestos

Das mentiras alheias,

Finalmente solitárias,

As minhas mãos estão cheias

De expectativa e de segredos

Como os negros arvoredos

Que baloiçam na noite murmurando.

 

Ao longe por mim oiço chamando

A voz das coisas que eu sei amar.

 

E de novo caminho para o mar.

 



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asteriscos 3
 
 
 

na ciranda de palavras gira o segredo,

o mistério estrebucha e rodopia:


dissolvem-se na noite, em câmera lenta.

 

 

sonia regina



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no avesso do caos

 


 
hoje uma borboleta bateu as asas, por aqui :

caiu a parede que separava píramo e tisbe.

 

 

sonia regina



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asteriscos 2

 

 

 

busco compreender a ordem que há na desordem
e as leis que regem o acaso. meu olhar observa

a irregularidade em seu movimento regular,

atento ao andamento do hoje, aqui e agora

entre o passado e o futuro, um hiato - a minha morte


sem lágrimas ou risos transito entre as dualidades
e por pensamentos, palavras e obras eu peco :

cometo excessos e economias.

 

sonia regina

 



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asteriscos 1

enquanto te aguardo o toque, ó cirandeiro,
nada mais sou além de um fractal do caos
organizado.  um turbilhão, redemoinho


tornado. 

 

sonia regina

rio, 22.5.06

 



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 transfiguração

 sem constrangimento, entre nós
 um traço (apenas)  é desenho

 

 se a lua movimenta as águas
 em um antigamente próximo
 que já não ousa quietude

 

 imodesto na inquietação
 [que surge]
 alinhava o medo e, o fantasma,
 transfigura-se

 

 

 sonia regina

 

rio, 21.5.06

 



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configurações

 

  

remove configurações

 

deixa que o sensível fale
do fruto

e dance o despertar

 

nas cinzas e na semente
a promessa não dorme
[arde]
o futuro presente na intenção.

 

 


sonia regina

 

rio, 21.5.06



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cogito 5

a alegria é um diário em branco

(contraste dialético)

de uma contingência da paixão

 

emerge das condições intersubjetivas.

 

sonia regina

rio, 21.5.06

 



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cogito 4

inabilidades podem iniciar efeito espiralado:

gerar valentias de defesa e conquista;
desenvolver competências para ser feliz.
 

sonia regina

rio, 21.5.06

 



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cogito 3

 o privado se recobre na sublimação.

 

a inocência se anula em momentos líricos:

vela fronteiras, inaugura limites públicos

entre a memória e o romance.

 

 sonia regina

 rio, 20.5.06

 

 



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pão e circo

sonia regina e jorge vicente

 

as partes foram colocadas em separado pela limitação de tamanho imposta pelo servidor

 

I

 

há calçadas quebradas no chão do meu país

por onde se vê o que ‘em se plantando tudo dá’[1]

: uma terra de ‘palmeiras onde canta o sabiá’[2]

 

nos campos, o trigo e o milho original

nas cidades,  luz e cena, pão e circo,

                                          temporal

 

este é um povo afetivo, de trabalho e riso,

amor e risco, pobreza, fome e coisa e tal

 

o que não aplaca a sede que paira, no ar

 

somos seres d’água, sim, mas lavráveis

pelos quais não basta navegar.



[1] "Nesta terra, em se plantando, tudo dá." Foi o que escreveu Pero Vaz de Caminha na carta que enviou ao rei de Portugal anunciando a descoberta do Brasil

[2] in Canção do Exílio - Gonçalves Dias

 



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o poema-resposta de jorge vicente, que originou o poema em conjunto

 

II

 

somos seres de música ténue

aérea, solar, majestosa

 

somos o som silente do silêncio

dos plátanos. a placidez da água

 

roubando a acácia dos teus olhos.

dorme-me na quentura do teu abraço

 

humilde. dá-me o pão que descansa

nos olhares dos artistas.e dança

 

o circo. e rouba-me a violência.

dá-me vida. pratica o amor. transforma

 

a dança no rito das folhas.



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III

 

gira o mundo, passa o tempo,

ultrapassa o espaço, se mergulha

a nossa alma na música dos teus versos

 

fica o rio ensolarado

no calor do abraço

humilde, lasso

fica o momento selado

sopra fronteiras, voa o olhar

 

no estado da arte penetra a manhã

 

despertam os sonhos

que se apoderam das mãos

chamam o sal da terra,

num protocolo de néctares

 

sobre o corpo do poema faz-se o pão

de milho, poesia que tremula

e se entrega ao espanto da língua

 

em contraponto ao arrepio do beijo

o circo tem sabor de saudade

 

IV

 

é um circo das águas. o circo das mil

e uma ilhas que desaguam no néctar dos

teus olhos. são pedro jorra o amor das

 

pedras e transcende-te. inventas um

trapézio das pedras, onde a terra

lança os corpos dos dançarinos feitos

 

filhos da terra. o sabor telúrico da

arte.



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V

 

mina a água da terra, dançarina

por entre as pedras, escorre

 

vaga presença líquida, ensina-me

a domar os cabelos molhados, nus

de qualquer sorriso

 

com ela aprendi o resgatável

e o impreciso vôo no trapézio,

a descida ao fundo do escrito

 

que saboreia a sílaba que deságua

no leito, ao colher a gargalhada

[entre pálpebras fechadas]

do `obscuro objeto do desejo'[1].

 

VI

 

esse desejo como um anjo exterminador que

buñuel desenhou nas suas fábulas. os homens

 

mentem na sua própria dança resgatada. o ventre

da expressão corporal, uma folha caída no

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