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eu te amo como um colibri resistente incansável beija-flor que sou batedora renitente de asas viciada no mel que me dás depois que atravesso o deserto. pingas na minha boca umas gotas poucas do que nem é uma vacina. eu uma mulher, uma ave, uma menina... assim chacinas o meu tempo de eremita: quebras a bengala onde me apoiei, rasgas minhas meias as que vestiram meus pés quando caminhei as areias. eu te amo como quem esquece tudo diante de um beijo: as inúmeras horas desbeijadas os terríveis desabraços os dolorosos desencaixes que meu corpo sofreu longe do seu. |
Escolha - Elisa Lucinda

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elejo sempre o encontro ele é o ponto de crochê. penélope invertida nada começo de novo nada desmancho nada volto. teço um novo tecido de amor eterno a cada olhar seu de afeto não ligo para nada que doeu. só para o que deixou de doer tenho olhos. cega do infortúnio pesco os peixes dos nossos encaixes as confissões de amor as palavras fundas de prazer as esculturas astecas que nos fixam na história dos dias. | |
by SR
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| Sobre o Poema
Herberto Helder
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Um poema cresce inseguramente na confusão da carne, sobe ainda sem palavras, só ferocidade e gosto, talvez como sangue ou sombra de sangue pelos canais do ser.
Fora existe o mundo. Fora, a esplêndida violência ou os bagos de uva de onde nascem as raízes minúsculas do sol. Fora, os corpos genuínos e inalteráveis do nosso amor, os rios, a grande paz exterior das coisas, as folhas dormindo o silêncio, as sementes à beira do vento, — a hora teatral da posse. E o poema cresce tomando tudo em seu regaço. |
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E já nenhum poder destrói o poema. Insustentável, único, invade as órbitas, a face amorfa das paredes, a miséria dos minutos, a força sustida das coisas, a redonda e livre harmonia do mundo. |
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— Embaixo o instrumento perplexo ignora a espinha do mistério. |
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| — E o poema faz-se contra o tempo e a carne. | |
by SR
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